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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

HAVEMOS DE SER LIVRES


Havemos de ser felizes mesmo que eles não queiram.
Havemos de rebentar em verde esperança florida
E nas tardes penosas do nosso eterno exílio, cantaremos
Ao azul céu, à doce terra, ao quente sol e ao manso mar
Porque ao corpo meteram a canga, mas não ao sonhar!
Havemos de ser felizes no toque ameno do orvalho matinal
Ainda que dum negro futuro, branca luz, horizonte distante.
Sou feliz, sempre que a minha voz se ajardina em canto
E brada feroz à injustiça instalada na pátria minha ferida.
Como poderei calar o grito que me afoga de urgência
Em dizer em poema a voz clarividente da consciência?

Minha pátria veste-se duma ténue luz duma saudade
Que foi o farol altivo, leme de toda a humanidade,
Mas hoje jaz por terra, escrava servil e lento pranto
Altiva pátria de Afonsos, Gamas, Albuquerques e Cabrais,
Ergue-te em força das tuas mornas, velhas e brancas cinzas
E mostra a esta gentinha sem valor a força de teus ancestrais!
Não deixes que te tornem a mátria de teu próprio Povo.
Este é o Povo, não os malditos que te venderam de novo!
Este é o Povo que em ti tem a força e fonte da própria vida
Este é o povo meu!Este é o povo que dá o que não prometeu
Este é o coração de Portugal na alma pequena dum pobre ilhéu
Que não aguenta ver mais sofrer, em silêncio, o povo que é o seu!
Grita : Liberdade!Liberdade!Liberdade!sempre LIBERDADE!


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